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Ensaio - Educação Infantil, Educação Física e Disciplina

Universidade de Brasília - Universidade Aberta do Brasil
Curso de Licenciatura em Educação Física
UaB-UnB – Pólo Barretos
Turma: EDF4 – Pólo Barretos
Disciplina: Estágio Supervisionado na Educação Infantil
Aluno: Celso Rodrigo Branicio Matrícula: 0871788
Professor: Profa. Jane Dullius e Prof. Rogério Bertoldo Guerreiro
Tutor On-line: Luciana Gomes Viana
Atividade: Questionário da Semana 2
28 de junho de 2011


Educação Infantil, Educação Física e Disciplina: algumas considerações

Celso Rodrigo Branicio
Tecnólogo em Processamento de Dados pela FISO/Barretos-SP
Especialização em Análise de Sistemas pela Universidade Federal de Uberlândia-MG
Graduando em Educação Física pela UAB/ UnB Pólo Barretos-SP


INTRODUÇÃO

Este ensaio tem por objetivo apresentar, de forma simples, alguns pontos relativos a disciplina e a atuação do professor de Educação Física em ambiente escolar, no que diz respeito à Educação Infantil. Para tanto, foi colocado algumas considerações e algumas vivências obtidas no estágio, além da bibliografia levantada, como disse as experiências e observações efetuadas durante estágio na CEMEI Antônio Dala Costa, na cidade de Barretos, estado de São Paulo. Estágio este constante da disciplina Estágio Supervisionado na Educação Infantil, da Universidade Aberta do Brasil/ Universidade de Brasília do curso de Educação Física, de autoria dos professores Jane Dullius e Rogério Bertoldo Guerreiro e tutorada pelos professores Luciana Gomes Viana e João Bosco da Silva.


A EXPERIÊNCIA SOB A ÓTICA DA DISCIPLINA

Durante o período de março de 2011 a junho do mesmo ano, num total de 52 horas, foi efetuado estágio de observação e intervenção em duas classes da escola mencionada: a Recreação para crianças de quatro a cinco anos de idade (17 no total) e a Pré-Escola (20 alunos no total). Sob supervisão direta dos professores regentes das classes foram desenvolvidas várias atividades na área de educação física infantil com vistas para o movimento associado ao lúdico, com destaque para brincadeiras tradicionais em nosso país e que muito agradam as crianças. Uma situação da qual observei bem foi que a criança, na maioria das vezes busca a atenção daqueles que estão ao seu lado e são em geral muito carinhosos e curiosos.

As crianças, desde a educação infantil, são introduzidas ao mundo das narrativas dos contos de fadas. A partir dos conceitos referenciados por tais estórias, vão criando modos de inferência no meio social e assimilando questões específicas da linguagem escrita. Quando ingressam no ensino fundamental, todos os parâmetros de sistematização da aprendizagem podem ser permeados através desta base literária. (Sousa, 2010).

É evidente que as associações com as histórias clássicas da literatura infantil eram feitas com riquezas de detalhes e isso mostra a importância destas para a construção deste imaginário. E essa utilização também se torna evidente.

A atemporalidade (“Era uma vez”), a ausência de delimitação dos personagens, compensada por adjetivos (“Branca de Neve, O Patinho Feio”), a unidimensionalidade da personalidade (bruxa sempre má, princesa bonita e boa) e, principalmente, o desfecho satisfatório após a superação de vários obstáculos por parte do herói, fazem com que este gênero literário facilite projeções por parte da criança, dando-lhe sensação de prazer e alívio. (Sousa, 2010).

Do ponto de vista da Educação Infantil em geral, o Referencial Curricular Nacional (1998, p. 27) ressalta que “para que as crianças possam exercer sua capacidade de criar é imprescindível que haja riqueza e diversidade nas experiências que lhes são oferecidas nas instituições”, conceitos que dever ser naturais na Educação Física voltada para esse público. Darido (2001, p. 20-21) comunga dessa idéia ao afirmar que “para facilitar a adesão dos alunos às práticas corporais seria importante diversificar as vivências experimentadas nas aulas, para além dos esportes tradicionais”.

É fato que a diversidade é algo que traz grandes possibilidades de diálogo entre professor e alunos, interação essa necessária para a construção das relações que vão formar todo o processo de aprendizagem. Dentro desta perspectiva temos a congruência da experiência relatada com a diversificação das atividades na Educação Infantil, uma vez que a entrega dos alunos reflete uma aproximação muito forte entre aquilo que eles carregam consigo e o que essa pode ser extraído dessa bagagem. Quando o aluno é incitado a imaginar uma situação e este a faz de maneira sólida, associando a passagem dada com a que ele quer inserir, construindo uma lógica que o satisfaz, vemos que sua participação se situa num espaço lúdico que pode muito bem ter lugar cativo na Educação Física. Diante dessa constatação, o professor deve buscar condições para favorecer este processo como forma de usá-lo positivamente na aquisição de cultura corporal. Assim, quando a criança constrói uma passagem em sua mente e essa passagem é traduzida em um movimento específico que é reproduzido com o mesmo entusiasmo da construção, tem-se a certeza de que esta não constrói somente a história e sim a atividade como um todo. O professor então passa de um ponto onde propõe uma brincadeira para outro em que ajuda os próprios alunos a construir a brincadeira.

O Referencial Curricular Nacional (1998, p. 41) situa essa atuação apontando que “ser polivalente significa que ao professor cabe trabalhar com conteúdos de naturezas diversas que abrangem desde cuidados básicos essenciais até conhecimentos específicos provenientes das diversas áreas do conhecimento”. Trabalhar para que os alunos construam a brincadeira é uma atuação que pensa a criança não somente como uma receptora de conhecimentos mas também uma agente direta da própria educação, o que não poderia ser diferente. A Educação Física então deve se apropriar da positividade deste processo para unir a imaginação aos movimentos corporais, o que define toda uma associação de passagens e movimentos, situações e corporeidade. Estes aspectos são refletidos também no imaginário, que ganha o componente concreto que é inserido na atividade. As crianças imaginam durante a atividade que o personagem principal corre pela floresta com muito medo de um mostro que se aproxima. Imaginam a situação e são direcionadas a movimentar-se como se estivessem correndo e a mexer os braços como quem se desvencilha dos galhos das árvores. O movimento é feito com intensidade, e com a mesma intensidade elas param e voltam a imaginar o próximo ato. Nesse ínterim viveram a cena e os movimentos corporais nela existentes. Os movimentos, que são mecânicos (andar, movimentar os braços, etc.) passam a fazer parte de um contexto marcado com muita riqueza. E aí que reside a associação que privilegia a internalização do movimento como parte fundamental da vida e do sentido que elas constroem com tanta intensidade dentro de seu imaginário.

Munarin (2007, p.3) dialoga que “sendo o imaginário a dimensão principal em que as brincadeiras acontecem, são as mediações dos adultos e o contexto onde elas acontecem o que define a forma como as crianças se apropriam e se relacionam com as mídias”. No contexto da Educação Física na Educação Infantil, cabe ao professor entender que a interação deve ser rica em significados para que a atividade flua expresse “emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades” (Referencial Curricular Nacional, p. 64). São estes que expressam a intensidade ora destacada.

Refletindo a experiência vivida durante o estágio, fica a sensação de que quando o professor usa as construções dos próprios alunos, temos uma possível união de conceitos e situações que podem ajudar este no processo de ensino-aprendizagem como um componente a mais. E não se pode negar essa ferramenta como algo válido quando olhamos a Educação Física nos aspectos atitudinal, conceitual e procedimental.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Seria demais, e não é mesmo intenção deste, afirmar que a atuação do professor de Educação Física em ambiente escolar infantil requer deste uma compreensão total sobre as construções imaginárias feitas pelas crianças. Vale ressaltar que os esforço se concentram na reflexão acerca do papel do professor e como este pode melhorar os processos que utiliza diariamente em suas aulas. Darido (2001, p. 16) afirma que “na verdade, as iniciativas de discutir e analisar propostas que ampliem a compreensão dos conteúdos da Educação Física para além da perspectiva disciplinar ainda se mostram bastante preliminares”. Enfocando este aspecto, fica claro a tentativa de apresentar coerentemente as considerações que sinalizem uma possível discussão e, como fundamento, fica a expectativa de direcionamentos que satisfaçam (ou incitem aprofundamentos) questionamentos básicos como o que? Onde? Quando? Como? E por quê?

Quando se diz que não podemos desprezar (negar) a validade da utilização das construções imaginárias, que são feitas pelas crianças com base em sua percepção de mundo e nas histórias e contos de fadas tradicionais ou não, queremos ressaltar uma possível discussão baseada numa experimentação feita em um extrato pequeno. As observações efetuadas no estágio despertaram a atenção para o tema de uma maneira tão forte quanto inconclusiva, uma vez que o assunto requer um aprofundamento que não nos é objetivo nestas poucas linhas.

Dessa forma, a questão do imaginário infantil, tão presente e indissociável do mundo da criança ganha mais um componente que é a construção da própria atividade na aula de Educação Física, como um complemento que ajuda o professor na construção do processo de ensino-aprendizagem. Componente esse que deve ser estudado com o mesmo carinho com que as crianças fazem as suas construções.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para e Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998.

DARIDO, Suraya Cristina. Os conteúdos da Educação Física Escolar: Influências, tendências, dificuldades e possibilidades. Perspectivas em Educação Física Escolar, Niterói, v. 2, n.1 (suplemento), 2001.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho cientifico. São Paulo: Cortez, 2004.

TACHIZAWA, Takeshy; MENDES, Gildásio. Como fazer uma monografia na prática. 10a ed. Rio de Janeiro: FGV, 2005.



CEMEI Antônio Dalla Costa - Barretos-SP - Foto Google Maps Agosto 2011
CEMEI Antônio Dalla Costa - Barretos-SP - Foto Google Maps Agosto 2011



Ensaio - Educação Infantil, Educação Física e Disciplina

  Celso Rodrigo Branicio




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