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UM VERÃO INESQUECÍVEL A BEIRA DO RIO GRANDE

     Barretos é uma cidade paulista próxima à divisa com o estado de Minas Gerais e entre os dois estados existe o Rio Grande, um dos maiores rios de nosso país, do lado de Minas temos a pacata cidade de Planura onde passei parte de minha infância e adolescência e onde peguei o gosto pela pesca, do lado paulista do rio temos a pequena cidade de Colômbia.

      Alguns quilômetros acima da ponte Gumercindo Penteado que liga os dois estados, nós temos a usina hidrelétrica de Porto Colômbia, que não contém eclusa, elevador ou canal para peixes, o que impossibilita que os mesmos atinjam a parte superior do rio na época da Piracema, o que faz com que os peixes perambulem nesta região impossibilitados de seguir viajem rio acima, o que torna o local uma das melhores regiões de pesca do país, sem contar que esta parte do rio é na verdade um lago de outra usina hidrelétrica, a usina de Marimbondo, que fica dezenas de quilômetros abaixo na cidade de Fronteira-M.G. com Icém-S.P.

      Eu tenho um amigo Valdir que possui um excelente rancho do lado mineiro em Planura, bem nesta região de pesca fértil, o rancho é lindo com todo conforto de uma casa na cidade, com coqueiros e árvores frutíferas, um lindo jardim e gramado e uma visão cinematográfica do rio logo à frente.

       Meu amigo Valdir ia lá pescar todos os meses e algum tempo atrás ele me convidou para acompanhá-lo em suas pescarias, aceitei e fomos nós quatro, ele e sua esposa Tânia, eu e minha namorada Conceição.

       A viagem até Planura onde fica o rancho foi tranquila e segura acompanhando as belas paisagens desta região com fazendas com belas colinas, córregos e lagoas. Chegamos ainda de manhã, era verão, tomamos um banho e fomos descansar um pouco da viagem, quando Tânia, esposa de Valdir resolveu ir ler um livro, segundo Valdir ela tinha este hábito saudável desde criança, só que a procura de isolamento ele resolveu pegar o barco e rumou sozinha pelo rio até local não muito longe do rancho, quando ancorou para poder ler em tranqüilidade, passados cerca de meia hora, chegou um policial da Policia Ambiental com seu barco, chegou próximo ao barco de Tânia e perguntou a ela o que estava fazendo ali.

       Ela disse calmamente “lendo um livro senhor Policial”.

       O Policial então disse: estamos no mês de janeiro e este é o período da piracema, era, portanto, proibido pescar usando barco. 

       Ela insiste e lhe responde que não estava pescando.

       Ele então disse, mas a senhora tem todo o equipamento e terei de aprendê-lo e ainda por cima multá-la.

       Tânia então ficou muito irritada com esta situação desconfortável causada pelo policial e lhe disse: Se o senhor fizer o que esta dizendo, o processarei por estupro!

       Horrorizado com o que disse Tânia, ele responde: “mas eu nem mesmo a toquei!”.

        Ao que Tânia responde: “sim, porém o senhor tem todo o equipamento!”.

       Desconcertado com a resposta e reação de Tânia o Policial reconheceu que estava sendo autoritário e se retirou deixando ela em paz.

       Chegando ao rancho, ela nos contou todo o episódio na hora do almoço e todos nós rimos muito da forma astuta como ela se safou de um Policial impertinente, afinal ela não estava infringindo nenhuma lei.

      No período da tarde eu e o Valdir fomos pescar, obviamente apenas com vara e no barranco conforme manda a lei. 

       A pescaria estava ótima e já havíamos fisgado e capturado diversos peixes após cerca de duas horas, foi quando o Valdir que estava conseguindo várias fisgadas sentiu uma puxada bem forte na linha, ele conseguiu com habilidade fisgar e sentir o peso, porém, estranhou porque não houve briga, ele então começou a recolher a enrolar a linha, sem nenhuma ação, então ele começou a desconfiar que a linha tivesse se enroscado em algum galho, ele chegou até mesmo a pensar em apenas soltar o galho e reiniciar a pescaria.

      Conforme a linha ia sendo enrolada o enrosco ia ficando mais próximo do barranco até que boiou a cerca de dois metros, era um belíssimo Tucunaré, que após ser pescado chegou a incrível marca de doze quilogramas, nós não conseguimos acreditar, mesmo porque o animal não se mexia, imediatamente pensamos que ele estava morto. 

      Quando analisamos melhor o caso percebemos o que ocorreu, o tucunaré estava desmaiado, incrível, mas ele estava mesmo desmaiado.

      Chegamos à conclusão que ao morder a isca, o anzol fisgou em um dente, este dente estava cariado pelo que vimos e o anzol acabou entrando exatamente no buraco da cárie, com a dor deve ter sido enorme, o grande tucunaré acabou desmaiando, o que justifica ele ter sido fisgado e não ter lutado.

       Nem eu nem o Valdir somos veterinários e nem mesmo dentistas, mas é a única explicação plausível para o fato. Depois de algum tempo o tucunaré recuperou os sentidos e finalmente acordou do desmaio.

       Após percebermos que ele estava bem, o Valdir acabou soltando ele, afinal havíamos pescado vários peixes de tamanho grande, não tão grande como ele, mas o suficiente para nosso jantar. 

      Fizemos um ato de esportividade e de “fair play”, afinal o coitado do tucunaré não chegou a brigar por causa de um problema de saúde e como todo verdadeiro esportista, temos sempre de fazer o "jogo limpo" e este peixe mereceu esta singela homenagem.

      Devido a estes dois episódios até hoje não esquecemos deste dia, num verão realmente inesquecível para todos nós e no episódio do peixe, nós fomos às únicas testemunhas, juntamente com o caseiro do rancho.

Celso Rodrigo Branicio


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UM VERÃO INESQUECÍVEL A BEIRA DO RIO GRANDE - Imagem Ilustrativa (Wikipedia)



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