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Crônica Dominical 04/05/2014 – 20 anos sem Ayrton Senna da Silva, até quando o Brasil ainda vai necessitar de heróis?


Crônica Dominical 04/05/2014 – 20 anos sem Ayrton Senna, até quando o Brasil ainda vai necessitar de heróis? - Foto do Ayrton Senna e suas conquistas na F1 - Instituto Ayrton Senna 

Eu assisti nesta madrugada de domingo o documentário SENNA de 2010 uma produção inglesa e francesa vencedora do festival de cinema de Sundance, nos EUA, em 2011. O documentário fala sobre a vida de Ayrton Senna da Silva, um grande herói brasileiro e exemplo para todos nós, seu profissionalismo e obstinação naquilo que fazia era fantástico e acima do normal.

Crônica Dominical 04/05/2014 – 20 anos sem Ayrton Senna, até quando o Brasil ainda vai necessitar de heróis? - Logotipo Oficial do Instituto Ayrton SennaSua carreira chegou ao auge exatamente no final da ditadura e transição para a democracia, com a promulgação de nossa atual Constituição em 1988, na época o país estava economicamente desequilibrado e com muita pobreza e pessoas passando fome nas ruas, a ponto dele ter ajudado diretamente várias instituições filantrópicas no país e até estava planejando organizar melhor este tipo de ajuda criando uma ONG para cuidar do futuro de crianças carentes, sonho este que foi concretizado pela sua irmã Viviane Senna da Silva Lalli um ano depois de sua morte em 1995, criando o Instituto Ayrton Senna.

Veja que apesar do grande exemplo de cidadão e de trabalhador vitorioso que serviu e ainda serve para nos inspirar para também atingirmos sucesso nos nossos projetos e nossas profissões, o que dá para se perceber é que infelizmente nosso país ainda precisa de heróis, como modelo a ser seguido.

O exemplo dele poderia ser algo normal, banal numa sociedade justa e igualitária onde todos tivessem plena emancipação humana e oportunidades, mas em terra de cego quem tem um olho é rei.

Como dizia Albert Einstein: "O meu ideal político é a democracia, para que todo homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado".

É uma pena que nossa democracia ainda é nova e temos muito a avançar e na prática devido ao capitalismo selvagem este sistema acaba não sendo tão justo como deveria ser de fato e de direito.

Infelizmente ainda necessitamos de heróis e naquela época em especial a missão dele foi muito especial, diria que talvez até um enviado do plano espiritual para dar a nação um exemplo a ser seguido e principalmente mais fé em nossa capacidade como cidadãos e tudo isto num período de transição onde este ícone foi importante para ajudar na consolidação da Democracia.

Não quero aqui denegrir o grande exemplo de ser humano e atleta que o Ayrton Senna foi, eu também fui e sou seu fã como a maioria dos brasileiros, pelo menos do seu exemplo de raça e determinação, ele não era nenhum santo, tinha um gênio forte e alguns até o achavam arrogante, sua vida pessoal e amorosa não foi tão exemplar assim, porém como cidadão e trabalhador sim foi um grande exemplo, mas esta carência nossa mostra que ainda precisamos evoluir muito na área social e de distribuição de renda e fortalecer nossa democracia, onde todos possam ter seu lugar ao sol, ter educação, trabalho e lazer e acima de tudo poder desenvolver toda a suas capacidades.

A questão é que o próprio Ayrton Senna já tinha percebido os problemas sociais do país e a importância que ele tinha como exemplo positivo de sucesso, algo que todos nós poderíamos ter se tivéssemos como ele raça, determinação, fé e aproveitássemos as oportunidades na vida como ele.
Sabemos que o capitalismo adora criar ícones para poder impor modos operandi no povo e vender mais facilmente produtos, criam heróis e os destroem na mesma rapidez, quando e onde querem, o próprio Ariton Senna reclamava muito disto neste documentário, o Alain Prost seu grande adversário em sua época, era até o seu surgimento o grande herói e super campeão da Fórmula 1.

Crônica Dominical 04/05/2014 – 20 anos sem Ayrton Senna, até quando o Brasil ainda vai necessitar de heróis? - Foto do Ayrton Senna no carro MacLaren em 1988 quando foi campeão pela primeira vez - WikipediaQuando o Ayrton Senna entrou na equipe MacLaren-Honda e fez dobradinha com Prost, ele foi bem recebido eram amigos até o Ayrton ganhar seu primeiro título em 1988, por coincidência o ano da promulgação da atual Constituição do Brasil, aí tudo mudou, em 1989 numa corrida memorável, o Prost que chegou à penúltima corrida do ano com uma pontuação maior e acabou de propósito batendo no carro do Senna logo na largada, pois, assim ganharia o título, mas Senna ainda conseguiu chegar até os boxes, arrumaram o bico do carro dele e ele voltou para a corrida em 16ª lugar e no final acabou fazendo várias ultrapassagens e vencendo a corrida de forma fantástica e desta forma tirando nove pontos da diferença que o separava do Prost ficando vivo para a última corrida do ano na Austrália, já Prost havia ficado definitivamente fora da prova e assim o Senna teria condições de sagrar-se bi campeão na última corrida, mas num jogo sujo de politicagem pura o Prost procurou imediatamente o Presidente da FIA a Federação Internacional de Automobilismo seu amigo que gostava muito dele, além de outros cartolas e resolveram dar uma punição inusitada ao Ayrton desclassificando ele da corrida por ter passado de forma irregular na chicane na volta para a pista e assim mesmo com todo o esforço e raça dele o título ficou com o Prost naquele ano em pura injustiça que o abalou muito.

No ano seguinte 1990 foi o troco, Ayrton Senna ao contrário do ano anterior estava desta vez na frente na pontuação antes de começar a penúltima corrida no Japão e acabou batendo o carro na primeira curva com Alain Prost e desta vez nenhum deles tiveram condições de voltar à corrida e desta forma Senna acabou sendo campeão porque ele estava nove pontos na frente de Prost e já tinha descartado uma corrida e seu adversário teria de descartar 2 pontos de um quinto lugar, pois, na época eram considerados apenas os 11 melhores resultados, no final Senna foi campeão pela segunda vez.

Na verdade inverteram a posição de saída do poli position visando atrapalhar Senna e isto acabou ajudando a gerar o problema do acidente e o tiro saiu pela culatra, o incrível é que seu adversário Alain Prost teve a cara de pau de não o perdoar por isto, alegando que foi proposital e que ele seria mau caráter.

Em 1991 Senna venceu seu terceiro e último título, tornando-se tricampeão da Fórmula 1. Ele ganhou o campeonato de forma impecável com incríveis 24 pontos na frente do Vice Campeão Nigel Mansell e infelizmente este foi seu último título.

Senna disse no documentário que todos temos um limite e que o limite dele era maior que o do Prost e demais pilotos, porém, esportivamente com fair play se ele se dedicasse a melhorar seu desempenho, um dia poderia de forma limpa até chegar a supera-lo de forma justa, mas Prost preferia o jogo sujo dos bastidores usando de politicagem, o velho problema da interferência política no esporte, visando resultados que no fundo são injustos, mas o capitalismo estimula este tipo de problema, o que importa são os resultados e os patrocínios e contratos que vão conseguir no fim tudo se resume a grana e resultado a qualquer custo e o duro é que a Fórmula 1 ganhou muito com os dois se duelando, dois heróis e ícones do esporte, que ajudou a atrair mais patrocinadores, mais audiência e popularidade ao esporte na mídia, no fundo os dois foram usados e manipulados pelo sistema e eram meras peças da máquina .

Outro problema citado por Senna foi a interferência do poder econômico, gerando injustiças nos resultados esportivos e isto ficou claro na temporada de 1992 vencida por Nigel Mansell e no ano seguinte Prost voltou a ser campeão que era seu velho sonho e depois resolveu se aposentar em definitivo da Fórmula 1 como piloto e conseguiu isto com um super carro com várias aparelhagens eletrônicas caríssimas e das quais as outras equipes não tinham e desta forma no carro da Williams-Renault a qualidade do piloto fazia pouca diferença, pois, o carro era muito mais rápido e estável do que todos os outros.

Crônica Dominical 04/05/2014 – 20 anos sem Ayrton Senna, até quando o Brasil ainda vai necessitar de heróis? - Foto de Alain Prost em 1984 - WikipediaQuando Prost entrou na Williams-Renault em 1993 a equipe segundo Frank Williams queria os melhores pilotos da atualidade para desenvolver o melhor carro daquela época, Prost que já havia se retirado da Fórmula 1 em 1992 voltou e só assinou o contrato com a condição de que não chamassem o Senna, ele não o queria como companheiro de equipe e assim o Ayrton continuou na MacLaren-Honda claramente um carro em nível abaixo tecnicamente e Prost que era tricampeão queria o quarto título a qualquer custo para passar Ayrton e se aposentar por cima e não queria que o atrapalhasse e Mansell havia saído da equipe.

A Wiliams-Renault como estava com um veículo inovador com várias aparelhagens eletrônicas que tornava o carro como disse imbatível e altamente superior a todos os outros e isto ficou claro com a conquista de Nigel Mansell em 1992 com 52 pontos de diferença de seu companheiro de equipe Riccardo Patrese, desta vez Prost ganhou facilmente o título em 1993, sem a presença do Senna na equipe e com a saída de Mansell ele faturou o título e não teve muito trabalho para obter seu objetivo e se tornar tetra campeão de Fórmula 1 com 26 pontos a frente de Ayrton Senna, que até que reagiu mas não tinha jeito.


Com a aposentadoria de Prost abriu se uma vaga para Senna na tão badalada equipe Williams-Renault e Senna conseguiu realizar seu sonho e entrou nesta equipe, só que aí veio as mudanças para equilibrar a Fórmula 1 e eliminaram todos os sistemas eletrônicos que davam a vantagem especial e a grande estabilidade e velocidade nos carros da até então poderosa Wiliams-Renault e assim os carros ficaram naquela temporada instáveis e não só para a Williams, pois, as mudanças foram radicais o que acabou gerando vários acidentes, inclusive com o Rubinho Barrichello e duas mortes e uma delas infelizmente do nosso herói Ayrton Senna em 1994 em Ímola na Itália.

Senna disse também que tinha saudade dos grandes pilotos do passado, quando havia menos interferência da política e do poder econômico e onde os carros eram em sua maioria do mesmo nível e vencia os melhores pilotos como deveria ser no esporte sempre, mas que não são principalmente nos dias atuais onde vários pilotos quase amadores entram na Fórmula 1 porque tem grandes patrocinadores, e trazem muito dinheiro para as equipes, sem contar o jogo de bastidores com as politicagens.

Alain Prost seu grande adversário foi uma prova clara disto tudo, pois, em pelo menos dois de seus títulos isto ficou claro e ao menos um deles seria por justiça de Senna (1989), fica claro que o capitalismo cria ícones os usam para manipular as massas e vender seus produtos e depois de usados, pouco se importa em descarta-los ou mesmo arriscar suas vidas visando atingir seus objetivos. No final Senna foi mais uma vítima deste sistema macabro.

Veja abaixo algumas frases célebres e interessantes de Ayrton Senna: 

Crônica Dominical 04/05/2014 – 20 anos sem Ayrton Senna, até quando o Brasil ainda vai necessitar de heróis?  - Foto de Ayrton Senna no Wikipedia"O importante é ganhar. Tudo e sempre. Essa história de que o importante é competir não passa de pura demagogia”. - Abertura do site Banderart
"A Fórmula 1 é um meio nojento." - outubro de 1988 - Almanaque Abril, Edição Especial - Brasil dia-dia

"No que diz respeito ao desempenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem-feita ou não faz."

"No que acredito mesmo é em Deus." - em novembro de 1987, conforme citado em Revista Veja, edição especial 1338-A, 3 de maio de 1994, p. 58.

"O brasileiro só aceita título se for de campeão. E eu sou brasileiro" - citado em Revista IstoE, edição 1675, 08.Nov.2001.

"Os ricos não podem mais viver numa ilha rodeada por um mar de pobreza. Nós respiramos, todos, o mesmo ar. Devemos dar a cada um, uma chance, ao menos uma chance fundamental." - citado em Revista Veja, edição 1440, 17 de abril de 1996, p. 113.

"O medo faz parte da vida da gente. Algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo. Outras, acho que estou entre elas, aprendem a conviver com ele e o encaram não de forma negativa, mas como um sentimento de auto-preservação." - Ayrton Senna (junho de 1991), como citado em Revista Veja.

"Eu não tenho ídolos. Tenho admiração por trabalho, dedicação e competência." - em outubro de 1981, conforme citado em Revista Veja, edição especial 1338-A, 3 de maio de 1994, p. 58.

A questão é que o ideal seria já estarmos num nível onde todos os seres humanos fossem de fato felizes, plenamente realizados e como disse Albert Einstein estivesse todos num nível tão alto que pudessem ser respeitados como indivíduos sem a necessidade de alguém ser venerado, note que até mesmo Senna deixou claro que não tinha ídolos, mas admiração por trabalho, dedicação e competência e certamente é assim que gostaria que nos lembrássemos dele.

É lamentável que nós ainda estejamos precisando de heróis, mas temos de lutar duramente para que um dia não precisemos mais de ícones, o duro é que hoje a realidade é outra já melhoramos muito na parte social, na economia, porém, ainda estamos longe do ideal, ainda existe pobreza e opressão e o duro é que nem grandes heróis nós temos mais na ativa como na época dele, mas fica a lembrança inesquecível de seu exemplo de vida, sua dedicação e competência ao trabalho que é a principal forma de podermos mudar o mundo a nossa volta e um dia termos uma sociedade igualitária mais justa, com plena emancipação humana, enfim com espaço para todos crescerem e se desenvolverem plenamente seus potenciais, sem explorações, opressões e onde a mola propulsora do progresso não escravize os homens e nem precise mais ser necessariamente o dinheiro.

Celso Rodrigo Branicio


Fonte das Fotos:
Foto do Senna com suas conquistas e do logotipo Instituto Ayrton Senna - Site do Instituto Ayrton Senna
Foto do Senna na McLaren em 1988 e Senna pensativo no final - Wikipédia
Foto do Alain Prost em 1984 o francês grande adversário de Senna - Wikipédia


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