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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Você é normal? Digo com alegria: eu não sou!

É considerado normal…

by Paulo Coelho on January 7, 2009


1] qualquer coisa que nos faça esquecer nossa verdadeira identidade e nossos sonhos, e nos faça apenas trabalhar para produzir e reproduzir.

2] ter regras para uma guerra (Convenção de Genebra).

3] gastar anos fazendo uma universidade, para depois não conseguir trabalho.

4] trabalhar de nove da manhã as cinco da tarde em algo que não dá o menor prazer, desde que em 30 anos a pessoa consiga aposentar-se.

5] Aposentar-se, descobrir que já não tem mais energia para desfrutar a vida, e morrer em poucos anos, de tédio.

6] Uso de botox.

7] Procurar ser bem-sucedido financeiramente, ao invés de buscar a felicidade.

8] Ridicularizar quem busca a felicidade ao invés do dinheiro, chamando-o de “pessoa sem ambição”.

9] Comparar objetos como carros, casas, roupas, e definir a vida em função destas comparações, ao invés de tentar realmente saber a verdadeira razão de estar vivo.

10] Não conversar com estranhos. Falar mal do vizinho.

11] Sempre achar que os pais estão certos.

12] Casar, ter filhos, continuar juntos mesmo que o amor tenha acabado, alegando que é para o bem da criança (que parece não estar assistindo as constantes brigas).

13] Criticar todo mundo que tenta ser diferente.

14] Acordar com um despertador histérico ao lado da cama.

15] Acreditar em absolutamente tudo que está impresso.

16] Usar um pedaço de pano colorido amarrado no pescoço, sem qualquer função aparente, mas que atende pelo pomposo nome de “gravata”.

17] Nunca ser direto nas perguntas, mesmo que a outra pessoa entenda o que se está querendo saber.

18] Manter um sorriso nos lábios quando se está morrendo de vontade de chorar. E ter piedade de todos os que demonstram seus próprios sentimentos.

19] Achar que arte vale uma fortuna, ou que não vale absolutamente nada.

20] Sempre desprezar aquilo que foi conseguido com facilidade, porque não houve o “sacrifício necessário”, e, portanto não deve ter as qualidades requeridas.

21] Seguir a moda, mesmo que tudo pareça ridículo e desconfortável.

22] Estar convencido que toda pessoa famosa tem toneladas de dinheiro acumulado.

23] Investir muito na beleza exterior, e se preocupar pouco com a beleza interior.

24] Usar todos os meios possíveis para mostrar que, embora seja uma pessoa normal, está infinitamente acima dos outros seres humanos.

25] Em um meio de transporte público, jamais olhar diretamente nos olhos de uma pessoa, caso contrário isso pode ser interpretado como um sinal de sedução.

26] Quando entrar no elevador, manter o corpo voltado para a porta de saída, e fingir que é a única pessoa lá dentro, por mais lotado que esteja.

27] Jamais rir alto em um restaurante, por melhor que seja a história.

28] No hemisfério norte, usar sempre a roupa combinando com a estação do ano; braços de fora na primavera (por mais frio que esteja) e casaco de lã no outono (por mais quente que esteja).

29] No hemisfério sul, encher a árvore de natal de algodão, mesmo que o inverno nada tenha a ver com o nascimento de Cristo.

30] À medida que for ficando mais velho, achar-se dono de toda a sabedoria do mundo, embora nem sempre tenha vivido o suficiente para saber o que está errado.

31] Ir a um chá de caridade e achar que com isso já colaborou o suficiente para acabar com as desigualdades sociais do mundo.

32] Comer três vezes por dia, mesmo sem fome.

33] Acreditar que os outros sempre são melhores em tudo: são mais bonitos, mais capazes, mais ricos, mais inteligentes. É muito arriscado aventurar-se além dos próprios limites, melhor não fazer nada.

34] Usar o carro como uma maneira de sentir-se poderoso e dominar o mundo.

35] Dizer impropérios no trânsito.

36] Achar que tudo que seu filho faz de errado é culpa das companhias que ele escolheu.

37] Casar-se com a primeira pessoa que lhe oferecer uma posição social. O amor pode esperar.

38] Dizer sempre “eu tentei”, mesmo que não tenha tentado absolutamente nada.

39] Deixar para viver as coisas mais interessantes da vida quando já não tiver mais forças para tal.

40] Evitar a depressão com doses diárias e maciças de programas de TV.

41] Acreditar que é possível estar seguro de tudo que conquistou.

42] Achar que mulheres não gostam de futebol, e que homens não gostam de decoração.

43] Culpar o governo por tudo de ruim que acontece.

44] Estar convencido de que ser uma pessoa boa, decente, respeitosa significa que os outros vão pensar que é fraca, vulnerável, e facilmente manipulável.

45] Estar igualmente convencido que a agressividade e a descortesia no trato com os outros é que são sinônimos de uma personalidade poderosa.

46] Ter medo de fibroscopia (homens) e parto (mulheres).

47] Finalmente: achar que a sua religião é a única dona da verdade absoluta, a mais importante, a melhor, e que todos os outros seres humanos neste imenso planeta que acreditam em qualquer outra manifestação de Deus estão condenados ao fogo do inferno.

(tirado do meu livro O VENCEDOR ESTÁ SÓ)


Fonte: Texto do livro O VENCEDOR ESTÁ SÓ publicado no 
Paulo Coelho's Blog do escritor Paulo Coelho e postado também na rede social Google+


 
  

Crise nos Hospitais Públicos da região de Barretos atinge R$181,47 milhões e Santa Casa de Barretos lidera com R$58,8milhões



Até quando a sociedade vai permitir isso, o SUS tem a obrigação de auditar estas quase santas casas.........
 
Fonte: Comunidade Boca Nervoza no Facebook




Postado por:
 


Veja alguns comentários postados no Facebook na Comun idade Boca Nervoza:


  • Adilson Ventura de Mello A situação da Santa Casa de Barretos está crítica mesmo a partir desses dados, pensei que fosse somente a prefeitura de Barretos que estivesse em situação delicada.
  • Renato Pereira Mariano professor o SUS TEM A OBRIGAÇÃO DE AUDITAR ESTAS INSTITUIÇÕES, não tem logica instituições filantropicas com dividas por digestão administrativas.........
  • Renato Pereira Mariano A POLICIA FEDERAL TEM QUE FAZER URGENTE A OPERAÇÃO SANTAS CASAS..........AI VAMOS SABER DA VERDADE....
  • Jussara Veraldo A divída de Barretos é maior com certeza, mas o Hospital também com certeza é o maior, ele atende a toda a região, sabemos que o SUS paga mal por uma cirurgia, e pelos atendimentos realizados na santa casa, e ela tem que pagar outros profissionais, médicos, enfermeiros, em fim há muitas despesas, acredito que deve haver sim fiscalização, mas temos que ser justos e muito cautelosos em nossas criticas, afinal todos nós algum dia podemos precisar da Santa Casa, o que me parece que ajuda são as campanhas em prol da santa casa e as doações, gostaria de saber como conseguem deixar uma instituição tão importante para a região nesta situação delicada....
  • Jussara Veraldo claro que sim, nós não podemos deixar de acreditar, até mesmo para criticar temos que ser sensatos....vc não acha Renato,falar fácil, dificil é fazer......
  • Renato Pereira Mariano não acho jussara....conheco a fundo os bastidores da quase santa casa............a sociedade tem a obrigação de julgar A APLICAÇÃO DO DINHEIRO PUBLICO.......
  • Raul Carbone Acho que apesar das dificuldades........tds esses casos foram incompetencia mesmo.......tem q ter pessoas q saibam administrar........e nao fazer barganha politica........ou colocar alguem porque eh amigo...........aquilo eh como uma empresa........tem q saber.......se nao afunda mesmo......
  • Celso Branicio Renato Pereira Mariano e aquela carta escrfita anos atrás na época do Décio e esta que circula atualmente, alguém conseguiu investigar a fundo aquelas denúncias?
  • Celso Branicio Jussara Veraldo, você é muito inocente ao achar que críticas não resolve nada é por isto que a corrupção impera neste país, cai na real, é claro que temos de criticar, ajudar é bom e todos fazemos na medida do possível, mas se não criticarmos e combatermos a corrupção até mesmo as contribuições diretas da população poderão ser desviadas e não adiantaria nada, agora é claro que todos amamos a Santa Casa e precisamos ou podemos precisar dela um dia, aliás, acredito que o ideal seria até deixar a Fundação Pio XII e a turma do Henrique Prata cuidar da gerência deste Hospital aí sim acabaria com esta roubalheira e a coisa funcionaria, como já vem ocorrendo no AMES de Barretos e nas filiais de Jales, Fernandópolis e Rondônia do Hospital de Câncer de Barretos, veja que nestas cidades estes hospitais já existiam e eles continuam comandando eles com suas diretorias, ma a gestão é do Hospital de Câncer, gestão é tudo neste caso, é claro que Santa Casa é outra área, mas é saúde também e pela experiência na gestão do hospital de Câncer de Barretos, certamente a coisa poderia mudar radicalmente.

    A questão é que temos de acabar com estes desvios de verbas que está quebrando a Santa Casa.



Link para o infográfico da tabela dos hospitais: www.diarioweb.com.br/novoportal/Admin/Files/Banco-Imagens/71550.jpg




Caos na saúde

São José do Rio Preto, 24 de Fevereiro, 2013 - 1:50

Santas Casas da região agonizam com dívidas

Allan de Abreu


Hamilton Pavam
Pronto-socorro da Santa Casa de Olímpia às moscas na última quarta-feira
Com dívidas que somam R$ 181,5 milhões, 27 hospitais públicos da região de Rio Preto agonizam. As maiores vítimas são as Santas Casas, que apresentam rombo de R$ 156 milhões nas contas, decorrentes de impostos não pagos, empréstimos bancários, salários atrasados e calotes em fornecedores de medicamentos e material hospitalar.


A população sente na pele os efeitos da crise. Para evitar a explosão do déficit, a Santa Casa de Olímpia fechou seu pronto-socorro, enquanto em Votuporanga, que acumula dívida de R$ 23 milhões, foram suspensos todos os atendimentos de neurologia desde julho de 2012. Na última quarta-feira, um blecaute de uma hora e meia surpreendeu os médicos que faziam histerectomia (retirada do útero) em uma paciente na Santa Casa de General Salgado.

Como o gerador do hospital estava quebrado, médicos improvisaram uma lanterna para terminar a cirurgia. “Nossa situação é precária”, admite a administradora da instituição, Vilma Cecília Chaves. O hospital ameaça fechar as portas até o meio do ano.

A situação crítica, dizem os provedores, é motivada pela defasagem dos valores pagos pelo SUS. Há cinco anos a tabela de procedimentos do Ministério da Saúde não passa por reajuste, o que cria distorções insustentáveis. “Tenho paciente que chegou a custar R$ 2 mil ao hospital, mas o SUS só repassou R$ 400.

A diferença o hospital tem que se virar para cobrir”, afirma Frederico José Marcondes, provedor da Santa Casa de Estrela d’Oeste. Outro provedor, Sérgio Rossetti, da Santa Casa de Monte Aprazível, cita como exemplo a endoscopia, com valor de R$ 48 na tabela SUS. “Um pé e mão na manicure sai mais caro”, compara.
 

Hamilton Pavam
Paciente desmaiava na fila de espera da Unidade de Pronto Atendimento lotada
PS fechado


A sangria nas contas forçou a Santa Casa de Olímpia, com dívida de R$ 1,19 milhão, a tomar uma medida radical. Desde outubro do ano passado, o pronto-socorro do hospital, que atendia até 15 mil usuários por mês, está fechado. Só aceita pacientes particulares, conforme faixa estendida na portaria.

Por isso, na manhã da última quarta-feira estava às moscas. “O prejuízo mensal era de R$ 120 mil. Recebíamos R$ 73 mil por mês da prefeitura para o PS, mas só o custo com os médicos ficava em R$ 83 mil”, justifica o provedor, Mário Francisco Montini.

O fechamento sobrecarregou a única Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. A espera por uma consulta no local chega a quatro horas, segundo os pacientes. Na manhã da quarta-feira, uma senhora chegou a desmaiar na sala de espera. O fiscal Hardi José Kothe Júnior, 31 anos, chegou à UPA naquele dia às 8h com dores no pulso.

Às 11h, não havia sido consultado pelo médico. Enquanto esperava, uma enfermeira improvisou uma tala para amenizar as dores no pulso. Ao lado dele, a dona de casa Adriana Castro, 39 anos, aguardava pelo atendimento da sogra. “Eu cheguei aqui 8h30 com ela passando mal, pálida, o lábio roxo. Mas já são 11h e ela não foi atendida.”

Hamilton Pavam
Hardi Kothe aguardou três horas por consulta na UPA de Olímpia


O hospital chegou a suspender as cirurgias eletivas, não emergenciais, no fim de 2012, e proibiu o atendimento de pacientes do SUS nos dois leitos de UTI particulares. “Cada leito custa R$ 150 por dia, mas o SUS só repassa R$ 140”, diz Montini.

Neste mês, o Hospital do Olho, que funciona dentro da Santa Casa e é referência regional em cirurgias oftalmológicas, também foi fechado. Com isso, equipamentos de ponta estão parados.

“O custo de manutenção estava muito caro, então não tivemos outra opção”, afirma o provedor. Azar da aposentada Maria Barreira, 60 anos, que há mais de um ano aguardava por uma cirurgia de catarata no local. “Só operei um olho, agora falta o outro. Vou tentar em Rio Preto ou Barretos.” 
 


Hamilton Pavam
Médico caminha em corredor da Santa Casa de José Bonifácio; falta de profissionais na emergência
Um só médico para 170 pacientes diários


Apenas um clínico geral atende de 160 a 170 pacientes por dia no pronto-socorro da Santa Casa de José Bonifácio. Só neste mês o hospital conseguiu contratar um segundo profissional, mas apenas para quatro horas diárias. “O ideal seriam dois clínicos, um pediatra e um ginecologista, mas custa caro, e não temos dinheiro”, diz o administrador da instituição, Newton César Mathias.

O hospital acumula dívidas de R$ 2 milhões, e todos os meses amarga um déficit de R$ 60 mil a R$ 90 mil. O salário de parte da equipe médica está atrasado, e até o início do ano passado a Santa Casa convivia com problemas estruturais no prédio, como goteiras causadas por infiltração no corredor de acesso ao centro cirúrgico.

O Ministério Público investiga se as condições estruturais do hospital influenciaram na morte de duas crianças no início de 2012. Uma criança nasceu morta depois de a mãe ter procurado o hospital e ter sido liberada no dia anterior - o hospital alega que a mulher deixou a Santa Casa por iniciativa própria. Um menino de 8 anos também morreu de pneumonia depois de receber diagnóstico supostamente falho na instituição. Não há prazo para a conclusão do inquérito civil.

Depois das mortes, o serviço de ginecologia e obstetrícia da Santa Casa foi suspenso a pedido da Direção Regional de Saúde (DRS), e os partos pelo SUS são todos feitos em Rio Preto. “O local precisa de obstetras e anestesistas disponíveis 24 horas, o que é caro. Por isso segue fechado”, disse o diretor da DRS, José Victor Maniglia. Segundo o administrador da Santa Casa, a prioridade da nova diretoria é retomar o serviço.

A falta de verbas também impede a contratação de mais médicos pela Santa Casa de Tanabi, cujo passivo atual é de R$ 350 mil. O hospital tem 12 médicos no total, mas, segundo o provedor, João Edson Ferreira Gomes, seriam necessários mais 12 profissionais. “Se tivéssemos mais dinheiro disponível, com certeza contrataríamos.”


Barretos

Atolada em dívidas que somam R$ 56,8 milhões, a Santa Casa de Barretos convive com a ameaça permanente de paralisação da equipe médica, com salários atrasados desde 2010. O hospital deve R$ 850 mil para os profissionais. Uma greve da categoria, diz a assessoria da Santa Casa, seria desastrosa para a região: o hospital faz 14,5 mil atendimentos apenas no pronto-socorro, e é especializado em atendimento ortopédico de emergência.


Sobre reajuste, pasta silencia

Em nota, o Ministério da Saúde silenciou sobre a possibilidade de reajustar os valores dos procedimentos bancados pelo SUS. Informou apenas que, em maio de 2012, a pasta assegurou o repasse de R$ 69,6 milhões aos hospitais filantrópicos com atendimento exclusivo pelo SUS, no programa “Incentivo Financeiro 100% SUS”.

Também no ano passado, o ministério e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram acordo para ampliar a linha de crédito de R$ 2 bilhões para R$ 2,5 bilhões para santas casas, hospitais e entidades filantrópicas. O objetivo, segundo a assessoria, é “ajudar na recuperação da gestão e modernização dessas instituições”. No entanto, o próprio ministério alerta: “pode haver dificuldades em obter esse financiamento, porque o BNDES exige um conjunto de melhorias de gestão”.

Edvaldo Santos
Paredes e teto do corredor da Santa Casa de Neves Paulista estão destruídos por infiltração
Santas Casas ameaçam fechar as portas


Pelo menos duas Santas Casas da região, em General Salgado e Neves Paulista, correm o risco de fechar as portas ainda neste ano em decorrência da crise financeira. O hospital de Salgado acumula dívida previdenciária de R$ 2 milhões, e sobrevive apenas com a verba do SUS e o repasse de R$ 62 mil da prefeitura local.

“Não sei se a gente aguenta até o meio do ano”, diz a administradora da Santa Casa, Vilma Cecília Chaves. Segundo ela, não há mais estoque de medicamentos nem de soro. “A gente só compra o que usa na semana.” Além disso, o salário de parte dos funcionários está atrasado, inclusive o de Vilma.

Na Santa Casa de Neves Paulista, a situação não é diferente. No início do ano, a Justiça determinou que o prédio onde funciona o hospital vá a leilão em decorrência de dívida da entidade com o INSS, que soma R$ 1,6 milhão. “No ano passado, o débito foi parcelado, mas apenas quatro prestações foram pagas e veio essa decisão. Agora, vamos recorrer e tentar uma saída na Receita Federal. Se houver o leilão, não tem como continuar”, diz o provedor, Nilton César Stuqui.

Edvaldo Santos
Provedor Nilton César Stuqui mostra armário fechado com esparadrapos: “Dependemos da misericórdia das pessoas para continuar funcionando”


O rombo nas contas, segundo ele, foi agravado por cheques sem fundo, que somam R$ 90 mil, assinados pela antiga administração para a compra de medicamentos e insumos. “Não tem dia em que os credores não me liguem para cobrar”, afirma Stuqui, que assumiu o posto no início do mês.

As verbas do SUS, R$ 33 mil mensais, representam menos de um terço dos custos da Santa Casa, que alcança R$ 120 mil ao mês. A sangria nas finanças só é amenizada pelo repasse da Prefeitura de Neves e por doações de alimentos dos moradores. Mesmo assim, as dificuldades são enormes. Os salários dos médicos estão atrasados desde agosto.

Por falhas na prestação de contas, o SUS chegou a anunciar o corte no repasse de verbas para março, mas Stuqui afirma que conseguiu eticar o contrato com o Ministério da Saúde até dezembro. “Nunca fizemos tanto jus ao nome Santa Casa de Misericórdia. Hoje dependemos mais do que nunca da misericórdia das pessoas para continuar funcionando”, diz o provedor.

Edvaldo Santos
Centro cirúrgico do hospital tem equipamentos dos anos 70


A crise se reflete na estrutura do hospital. Há infiltrações por todo o prédio, e parte do piso da ala pediátrica cedeu. Um quarto onde caberiam dois leitos foi desativado por causa de uma goteira no teto. A cozinha só dispõe de uma geladeira, e uma máquina de lavar roupas está inoperante porque foi penhorada. Não há nenhum aparelho de ar condicionado, e os móveis têm mais de 30 anos de uso.

Entrar no centro cirúrgico é como mergulhar na história da medicina. Os equipamentos têm mais de 40 anos. Como não há dinheiro para modernizar o setor, o centro foi fechado há cerca de dez anos. “Infelizmente as pessoas deixaram de confiar na Santa Casa. Mas tenho fé de que vamos superar essa situação”, afirma Stuqui.

A crise financeira já abateu um hospital filantrópico na região. Em 2002, a Santa Casa de Mirassol fechou as portas. Não suportou o pagamento de dívidas que, na época, somavam R$ 6 milhões. O prédio ficou abandonado até o ano passado, quando a prefeitura comprou o imóvel, demoliu parte dele e vai transformar o restante em Unidade de Pronto Atendimento (UPA). 
 

Edvaldo Santos
Leitos psiquiátricos em Nova Granada foram desativados em 2010
Em Nova Granada, 129 leitos fechados


Os baixos valores repassados pelo SUS contribuíram para que a Santa Casa de Nova Granada fechasse 129 leitos psiquiátricos em 2010. “A diária repassada pelo Ministério da Saúde é de R$ 42, mas só os médicos nos custam R$ 38 por dia. Por isso é inviável”, diz o provedor, Ralfo José Furtado.

Mesmo com o fechamento, o hospital mantém 15 funcionários que trabalhavam no setor psiquiátrico. “Não temos dinheiro para pagar a rescisão nos contratos”, justifica Furtado. A Santa Casa acumula dívidas de R$ 1,2 milhão. O Hospital Bezerra de Menezes, em Rio Preto, vive crise semelhante. O déficit, decorrente de impostos atrasados e empréstimos bancários, atinge R$ 4,5 milhões. Por isso, existe o risco de fechar 37 dos 197 leitos psiquiátricos, conforme o provedor, Gracio Tomaz Saturno. “O que nos aliviou foi um empréstimo bancário, que nos deu fôlego para mais uns 60 dias”, afirma.

Já a Santa Casa de Indiaporã, com dívida de R$ 590 mil, pretende criar um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps-AD), com dez leitos, e se tornar referência no tratamento de dependentes para 13 municípios, incluindo Fernandópolis. O hospital está de olho na verba do Ministério da Saúde - se por um leito normal o SUS repassa R$ 40, para leitos de Caps são R$ 300, mais R$ 67 mil ao ano por leito para manutenção, segundo o administrador, Ricardo Rocha. “A saída para as Santas Casas menores é se tornarem referência regional em algum serviço. Só assim irão sobreviver.”


Movimento se reúne amanhã

Mais de 200 representantes de Santas Casas e hospitais filantrópicos de todo o País irão se reunir amanhã pela manhã na Assembleia Legislativa, em São Paulo. O objetivo do movimento, batizado de “Tabela do SUS! Reajuste Já”, é pressionar o governo federal para reajustar o valor dos procedimentos médicos pagos pelo Ministério da Saúde.

“Não queremos ter lucro, mas apenas que paguem nossos custos”, afirma Edson Rogatti, diretor-presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp). A estimativa é de que o rombo das 2,1 mil instituições filantrópicas que atendem pelo SUS esteja em torno de R$ 12 bilhões e possa chegar a R$ 17 bilhões no próximo ano. Boa parte em decorrência da defasagem da tabela do SUS, que remunera apenas R$ 65 de cada R$ 100 gastos pelos hospitais.

“Caso não haja um reajuste, muitas Santas Casas correm o risco de fechar as portas”, diz o deputado federal Edinho Araújo (PMDB), que integra a Frente Parlamentar das Santas Casas no Congresso. No dia 12 de dezembro, o movimento entregou a representantes do Ministério da Saúde um documento, batizado de “Carta de Votuporanga”, assinado na cidade por 209 instituições filantrópicas, em que solicitava ao Ministério da Saúde um reajuste de 100% sobre os cem procedimentos de média e baixa complexidade com maior incidência nos valores pagos pelo SUS em 2011, além de anistia das dívidas tributárias. O movimento aguardava uma manifestação do ministério até o dia 31 de janeiro, o que não ocorreu. Daí a nova mobilização marcada para amanhã.


Só 4 têm as contas em dia

Das 29 Santas Casas da região, apenas quatro estão com as contas em dia: Ibirá, Aparecida d’Oeste, Cardoso e Guaraci. “A ajuda da prefeitura é essencial para o equilíbrio das contas”, diz o provedor do hospital de Ibirá, João Renato Tavares.

Outro auxílio que minimiza os prejuízos aos hospitais filantrópicos é o Pró-Santa Casa, em que o governo estadual auxilia as instituições com repasses extras, além daquilo que é repassado pelo SUS. Em 2012, foram distribuídos R$ 12 milhões para 346 unidades no Estado. Para a Santa Casa de Rio Preto, são R$300 mil mensais. “É uma ajuda, e toda ajuda é bem-vinda”, afirma o provedor, Nadim Cury.

O Estado também subvenciona o Hospital de Base, em Rio Preto, referência para a região, principalmente em procedimentos de alta complexidade. O déficit operacional mensal do HB gira em torno de R$ 1,5 milhão por mês. “Se o governo estadual não cobrisse esse rombo, o prejuízo seria de R$ 20 milhões anuais, e o hospital entraria em colapso”, diz o diretor-executivo, Horácio José Ramalho.

A provedoria da Santa Casa de Urânia e o Hospital São José, em Itajobi, não quiseram informar dados financeiros das instituições. A direção da Santa Casa de Populina não foi localizada, e a do hospital municipal de Potirendaba não soube revelar o valor da dívida. 


Edvaldo Santos
Voluntários preparam comida para a Festa do Milho, em Jaci
Hospitais apelam para leilões e até carnês


Para driblar a falta crônica de receita, os hospitais públicos da região lançam mão de uma série de medidas, que vão desde leilões de gado e quermesse até pedido de doações por telemarketing e distribuição de carnês para doação. “A gente tem que rebolar para conseguir dinheiro”, diz o administrador da Santa Casa de Santa Fé do Sul, Luís Antônio Paparelli.

No ano passado, o hospital arrecadou R$ 140 mil com jantares e leilões de gado. O dinheiro foi utilizado para comprar quatro respiradores e um monitor para a UTI. O Instituto Espírita Nosso Lar (Ielar), em Rio Preto, instalou um serviço de telemarketing para pedir doações ao hospital. “Como 90% do nosso atendimento é pelo SUS, foi a saída que encontramos para sobreviver”, diz o presidente do Ielar, Ricardo Fasanelli.

O Hospital São Vicente de Paulo, em Monte Azul Paulista, recorreu à distribuição de carnês para a população, que contribui com R$ 20 mensais e concorre a prêmios. “É o que nos mantêm, já que temos pouca ajuda da prefeitura”, diz Leonardo Alves de Souza, escriturário do hospital. Os R$ 40 mil que o SUS repassa à instituição são insuficientes para bancar as despesas, que atingem R$ 130 mil no mês.

A Associação São Francisco de Assis na Providência de Deus, que administra hospitais em Mirassol, Jaci, Nhandeara e Ilha Solteira, recorre a eventos como a Festa do Milho para cobrir o déficit gerado pelos atendimentos via SUS.





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